Consultório Dra Mireille – Hematologista | Anemia, Ferritina Alta e Trombose

O que é trombofilia?

O nome pode soar estranho à primeira vista, mas relaxa: vamos conversar sobre isso de forma tranquila e clara.

Trombofilia é simplesmente uma maior tendência do sangue formar coágulos com mais facilidade do que o normal. A palavra vem de “trombo” (coágulo) + “filia” (tendência). Ou seja: o sangue tem uma predisposição maior para criar trombos mesmo sem precisar.

Na trombofilia é como se seu sistema de coagulação estivesse sempre em alerta máximo. Se você teve um episódio de trombose (TVP), embolia pulmonar, investigar a trombofilia é o passo fundamental para evitar que isso aconteça novamente.

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O que acontece no corpo quando há suspeita de trombofilia?

Pense no sangue circulando pelo corpo como o trânsito numa avenida larga e sem obstáculos: tudo flui bem, levando oxigênio e nutrientes para onde precisam chegar. 

Em pessoas com trombofilia, é como se o sistema de “reparos de emergência” do sangue ficasse um pouquinho mais sensível do que o normal. Ele pode ativar a coagulação sem motivo aparente, como se estivesse tentando “consertar” um buraco que, na verdade, não existe.

Esse descontrole cria coágulos onde não deveria. E é aí que pode complicar: eles bloqueiam a passagem do sangue, causando uma trombose ou embolia pulmonar. Dependendo do lugar, isso pode ser sério (até risco de vida), mas a boa notícia é que dá para prevenir e controlar com acompanhamento certo.

Os médicos usam um conceito clássico chamado Tríade de Virchow para explicar esses fatores que aumentam o risco. São três coisas que, sozinhas ou juntas, facilitam os trombos: 

(1) Sangue mais propenso a coagular (hipercoagulabilidade); 

(2) Fluxo sanguíneo lento ou parado (estase); 

(3) Lesão ou irritação na parede interna dos vasos (endotélio)

Entender isso já ajuda muito: com hábitos simples, medicamentos quando necessário e acompanhamento médico, a gente controla bem a trombofilia e tem uma vida próxima do normal.

A trombofilia não é uma doença por si só, mas sim uma condição que aumenta a predisposição do sangue a formar coágulos. Imagine que seu sistema de coagulação está sempre em alerta máximo. Se você teve um episódio de trombose (TVP), embolia pulmonar ou enfrenta dificuldades em manter uma gestação, investigar a trombofilia é o passo fundamental para evitar que isso aconteça novamente.

Trombose arterial x trombose venosa: qual a diferença?

Pensa no sistema circulatório como uma grande estrada com dois tipos de pista:
 
  • Artérias são as pistas de alta velocidade, levando sangue rico em oxigênio do coração para o corpo. Quando um trombo se forma numa artéria, chamamos de  trombose arterial. Um êmbolo (pedaço de um trombo que se solta) em uma artéria pode bloquear o fluxo sanguíneo para um órgão ou tecido, causando danos graves, como um infarto – IAM (ataque cardíaco) ou um acidente vascular cerebral – AVC (derrame), e até pode levar à necessidade de amputação de parte do braço ou da perna.
 

  • Veias são as pistas de retorno, levando o sangue de volta ao coração. Quando o coágulo entope uma veia, especialmente nas pernas, temos a trombose venosa (TVP)  — e ela pode se complicar com embolia pulmonar (TEP), se o trombo resolver “viajar” até o pulmão. Os sinais da TVP na perna costumam ser dor e inchaço. Por outro lado, os sinais de TEP incluem falta de ar, dor para respirar, baixa de oxigênio, choque e até óbito.

Ambos são sérios e precisam de cuidados médicos rápidos para evitar complicações graves.

Quando a trombofilia precisa ser investigada?

Nem toda trombose ou evento obstétrico significa que tem trombofilia. A investigação é indicada em situações específicas, como:

  • Trombose em pessoas jovens, sem fatores de risco evidentes
  • Trombose em locais incomuns, como veias do cérebro ou abdome
  • Histórico de 1 ou mais  episódio de trombose
  • Trombose associada à gestação ou uso de anticoncepcionais
  • História familiar forte de trombose em parentes de primeiro grau
  • Eventos obstétricos recorrentes e inexplicados



Pedir exames sem necessidade pode acabar trazendo resultados positivos que não têm relevância clínica — e isso só serve pra deixar você estressado(a) à toa. Ou seja, se você vai pedir um exame, tem que saber o que vai fazer com o resultado. Porque, se ele vier alterado e não mudar nenhuma conduta, talvez fosse melhor nem ter feito.

Diagnóstico não é caça ao tesouro. Não adianta sair procurando sem mapa, ou seja,  é preciso ter um motivo, um contexto, um plano de ação.

Agora, se você está passando por algo preocupante — como dor, inchaço na perna, falta de ar, dor no peito ou algum sintoma grave — não é hora de pensar em trombofilia, e sim de procurar atendimento médico o quanto antes. Isso é urgente! Primeiro a gente precisa identificar o problema e tratar adequadamente o evento agudo.

A investigação de trombofilia, se for indicada, vem depois — com calma, com planejamento, e no momento certo. Porque sim, ela pode esperar. O que não pode esperar é o tratamento do evento agudo, que acaba sendo feito pelo médico da emergência, da UTI, pelo cirurgião vascular (quando o evento é TVP), pelo pneumologista (quando o evento é TEP), ou por outros especialistas, já que pode ocorrer em qualquer local do corpo.

Dúvidas frequentes que ajudam a entender o que é trombose e trombofilia

Composição do sangue (preste atenção nas plaquetas)

 O sangue é composto por uma parte líquida, chamada plasma, e várias células:

Células Brancas (Leucócitos): Incluem neutrófilos, linfócitos, monócitos, eosinófilos e basófilos, e são responsáveis pela defesa do corpo.

Plaquetas (Trombócitos): Ajudam a controlar sangramentos, evitando que o sangue saia dos vasos (sistema vascular).

Células Vermelhas (Hemácias): Transportam oxigênio através da hemoglobina, uma molécula presente nas hemácias.

Veias e artérias são tipos de vasos sanguíneos no corpo humano.

  • Artérias: São vasos que levam o sangue rico em oxigênio do coração para o resto do corpo. Elas são responsáveis por distribuir o sangue para todos os órgãos e tecidos do corpo, garantindo que recebam oxigênio e nutrientes essenciais. A coloração do sangue nas artérias é vermelho vivo.
  • Veias: São vasos que levam o sangue para o coração. Elas geralmente transportam sangue com menos oxigênio de volta aos pulmões e coração para ser oxigenado novamente. A coloração do sangue nas veias é um vermelho mais escuro.

Trombo é o nome técnico do coágulo de sangue que se forma dentro do vaso. Diferente daquela casquinha de machucado que serve pra proteger, num episódio de trombose, o trombo pode entupir vasos e impedir que o sangue circule direito. Dependendo do local onde ele se forma, pode causar problemas sérios.

Normalmente, o sangue só deveria coagular quando acontece uma lesão, tipo um corte ou machucado. Quando isso acontece, o corpo reage rápido pra estancar o sangramento e “consertar” a parede do vaso sanguíneo.

Então agora vamos explicar como o trombo é formado;

  1. As plaquetas são como os tijolos da construção. Elas são as primeiras a chegar no local do “dano” e começam a se agrupar, formando uma espécie de “tapume” provisório.
  2. Depois, entra em ação a fibrina, uma proteína que age como se fosse o cimento. Ela cria uma rede grudenta que junta os tijolos (plaquetas), fixa tudo no lugar e deixa o coágulo mais resistente.
  3. Com o tempo, o organismo vem com o sistema fibrinolítico ou “pedreiro finalizador” (enzimas) e desfaz o excesso de trombo, deixando tudo como novo.

Esse processo é super importante — salva vidas todos os dias!

Mas quando o sangue resolve iniciar essa “obra” sem necessidade, sem machucado nenhum, temos um problema. É como se o pedreiro decidisse fechar uma rua inteira com tijolo e cimento, sem buraco nenhum. E isso pode atrapalhar a circulação do sangue, levando à trombose.

As tromboses são problemas graves de saúde causados por trombos que obstruem um vaso sanguíneo. Quando um trombo bloqueia um vaso sanguíneo, pode interromper o fluxo normal de sangue e causar danos ao tecido por falta de oxigênio (isquemia).

 

Quando procurar um hematologista

Cada caso de trombose ou trombofilia tem uma história diferente.  A consulta permite analisar exames, entender os sintomas e identificar a causa real do seu caso específico, antes de iniciar qualquer tratamento.

Lembre-se, seu médico é a melhor fonte de orientação para o seu caso. Se você suspeita de anemia, não demore a procurar ajuda profissional. Um hematologista, especialista em doenças do sangue, pode fornecer o suporte e o tratamento necessários.

Esse texto faz parte de um conjunto de textos 

e de orientações em saúde escrito pela 

Dra Mireille Guimarães Vaz de Campos

(médica Hematologista | CRM-GO 12406, RQE 22965).

 

Este texto não substitui a consulta médica detalhada 

e direcionada a um caso específico

Posts de Trombofilia em Redes Sociais

@mireillecamposhemato Quem teve trombose pode viajar de avião? Mais de 300 milhões de pessoas viajam em vôos de longa distância (com mais de 4 horas) a cada ano. A maioria das informações sobre este assunto vem de informações coletadas sobre viagens aéreas, mas qualquer tipo de viagem pode ser um risco. Assista o vídeo para saber mais sobre o assunto! #aviao #onibus #carro #viagem #viagemlonga #trombose #embolia #dramireillecampos ♬ som original – Mireille Vaz de Campos HEMATO
@mireillecamposhemato Caso de recorrencia de trombose em paciente com pesquisa de trombofilia negativa #trombose #trombofilia #dramireillecampos #trauma ♬ som original – Mireille Vaz de Campos Médica

@mireillecamposhemato Quer entender melhor o que ocorre na embolia pulmonar? Então assiste o vídeo… #trombose #embolia #trombofilia # ♬ som original – Mireille Vaz de Campos Médica

Aqui, em breve, você vai poder ler mais textos sobre trombofilia

Pronto para entender de verdade o que está acontecendo com seu sangue?

Este é apenas um resumo geral. 

Se você se identificou com este post e quer uma análise detalhada, marque uma consulta com Médico Hematologista para fazer a investigação correta e o tratamento adequado.

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